Psicopedagogia

PERFIL DO PROFISSIONAL ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA

O Psicopedagogo deve estudar constantemente e atualizar-se em novos saberes no sentido de compreender de forma mais completa o processo de aprendizagem e as dificuldades que pairam sobre o processo do aprender humano. Deve atuar preventivamente não apenas em âmbito escolar, mas deve trabalhar para alcançar a família e a comunidade, esclarecendo as diferentes etapas de desenvolvimento.

Na terapêutica o Psicopedagogo deve identificar, analisar e planejar, intervindo por meio das etapas do diagnóstico e do tratamento. O Psicopedagogo precisa aprender escutar, ser humilde e buscar a ajuda de outros profissionais, sendo esse o caminho mais adequado para ajudar o indivíduo em estudo.

CONCEITO DE APRENDIZAGEM A PARTIR DA VISÃO PSICOPEDAGÓGICA

A aprendizagem é o processo no qual um sujeito interage com o meio ambiente, considerando sua influência, a influência da família, da escola e da sociedade. A aprendizagem é o objeto central de estudo da Psicopedagogia.

A PSICOPEDAGOGIA SE UTILIZA DOS DIVERSOS CAMPOS DO CONHECIMENTO PARA COMPREENDER O PROCESSO DE APRENDIZAGEM

O processo de aprendizagem é tão complexo quanto a natureza humana. E no sentido de colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais a Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades dentro de uma ação profissional que deve englobar vários campos do conhecimento, integrando e sintetizando-os.

Um sujeito que aprende é muito mais que um aprendiz, é um ser capaz de conhecer sobre si e sobre o ambiente do qual é parte integrante. Para conhecer esse ambiente ser é preciso pensar sob uma ótica do plano-meta científico ou filosófico, ou ainda sob o plano de caráter técnico. O plano meta-científico descreve e explica o objeto, estuda as práticas, o ser que conhece e produz conhecimento.

Esse ser cognoscente – como sujeito inteiro, constituído de diferentes dimensões sociológicas: afetiva, relacional, funcional e cultural, que interagem entre si, é capaz de construir um conhecimento do seu ambiente natural e sócio-cultural, bem como um conhecimento sobre si mesmo. Como sujeito temporal é histórico, vive em um tempo, carrega consigo o conhecimento de outros tempos e projeta para o futuro o que conheceu. Como sujeito sistêmico está inserido em uma teia de relações universais. Como sujeito biológico, possui determinantes que não o completam, para sobreviver necessita relacionar-se com sua cultura, apropriar-se de ferramentas sociais e construir sua história.

A “ATITUDE CLÍNICA” DO FAZER PSICOPEDAGÓGICO

O Psicopedagogo deve reconhecer seu processo de aprendizagem, seus limites e competências, principalmente, a intra e inter-pessoal, seu objeto de estudo é um outro sujeito e por isso é essencial o conhecer e diferenciar o que é pertinente a cada um.

O Psicopedagogo tem como função identificar a estrutura do sujeito, suas transformações no tempo, influências do seu meio nestas transformações e seus relacionamentos com o aprender. Este saber exige do Psicopedagogo o conhecimento do processo de aprendizagem e suas inter-relações com outros fatores que podem influenciá-lo como influências emocionais, sociais, pedagógicas e orgânicas.

No trabalho o Psicopedagogo busca formas criativas e inéditas para lidar com os sintomas (ex.: sujeito disgrafo). No momento que compreende o sintoma deve procurar quais as formas de trabalho que irá oferecer maior receptividade ao paciente, momento que é oferecido ao profissional a oportunidade para ajudá-lo e, se necessário, mudar seu esquema de trabalho.

Embora o foco do Psicopedagogo não esteja centrado no “não aprender” é necessário oferecer espaço para aspectos subjetivos, como o desenho, diferentes modalidades de jogos, produção de texto, dramatizações, entre outros.

CONCEPÇÕES INTERACIONISTAS, CONSTRUTIVISTAS E ESTRUTURALISTAS DA APRENDIZAGEM

A visão interacionista de desenvolvimento traz importantes contribuições para a prática pedagógica. Ao considerar que a criança constrói progressivamente novos conhecimentos, novas formas de pensar, a escola passa a dar maior ênfase ao processo de aprendizagem do aluno. Não é desejável que uma criança simplesmente saiba coisas, mas, sobretudo, que pense competentemente sobre as coisas que aprende.
O objetivo não é fornecer verdades prontas e acabadas aos alunos, mas capacitar o aluno a elaborar o conhecimento que se espera e que seja alcançado.

Na visão construtivista a criança (sujeito) como meio (objeto) constitui uma totalidade, mas na medida em que esse meio se modifica novas condutas passam a ser exigidas, especialmente, quando a escola entra em cena na vida de uma criança produzem novas estimulações e então uma nova conduta surge, mudando seu estado de equilíbrio cognitivo à que estava acostumada no seu cotidiano. O processo de ensino-aprendizagem deve ser capaz de propiciar à criança o aproveitamento de várias capacidades especiais que assegurem o desenvolvimento cognitivo.

O ensino na escola não deve limitar-se em transmitir ao aluno determinados conhecimentos, formar certo número de aptidões ou hábitos, mas acima de tudo desenvolver o pensamento, o raciocínio, a capacidade de analisar, desenvolver as estruturas operatórias no plano cognitivo, de modo que o pensamento lógico deve ser uma das principais tarefas que a escola deve engendrar-se.

No estruturalismo, o que se coloca em relação ao desenvolvimento cognitivo é a possibilidade de acelerar as estruturas cognitivas, inegável é a possibilidade de acelerar o desenvolvimento das estruturas cognitivas já que tal atitude remete ao inatismo, com a tese de um desenvolvimento puramente interno e inerente ao organismo humano.

O conhecimento não se dá por simples impressão dos objetos do conhecimento no sujeito, já que toda experiência pressupõe a intervenção de instrumentos lógicos subjacentes às estruturas cognitivas. Estas, por sua vez, se alteram mediante a atividade operatória do sujeito em suas trocas dialéticas com o meio de conhecimento.

A aprendizagem das estruturas lógicas não só é possível, mas também comporta uma espécie de sistema espiral que para aprender ou para construir uma estrutura lógica é necessário partir de outras estruturas lógicas diferenciadas por um conjunto de exercícios operatórios até atingir nova estrutura.

Numa perspectiva pedagógica é possível favorecer progressos cognitivos, viabilizar a aprendizagem de estruturas lógicas que consiste em construir coordenações anteriores e isso, segundo um processo circular tal, que para aprender uma estrutura lógica é necessário utilizar outras estruturas que conduzam à ela ou estejam implicadas. A observação, o acompanhamento e a análise do processo de aprendizagem podem levar o professor à condição de mediador no sentido de intervir no nível operatório do aluno, resultando em progressos permanentes e de sucesso.